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Depois de 7 anos, novo 'Jogos Mortais' chega hoje aos cinemas

Publicado em 30/11/2017 10:37

Em cima do muro. Taí a melhor definição para "Jogos Mortais – Jigsaw", que estreia no Brasil nesta quinta-feira (30) sete anos após o último filme da série. A oitava parte dessa história de lições de moral através de sofrimento e sacrifícios de sangue traz de volta os testes e as criativas armadilhas mortais imaginadas por Jigsaw, pseudônimo do engenheiro-psicopata John Kramer, e até alivia o tom "trash" dos três filmes anteriores. A violência é menos gratuita e explícita, o sangue não é o rosa de "Jogos Mortais – O Final" (2010) e o jogo propriamente dito mostra esboços da gravidade vista nos primeiros longas da franquia. Por outro lado, "Jigsaw" é uma sequência do legado do vilão original que demora para desenvolver qualquer novidade sobre a sua vida. O que deixa ainda mais clara a dependência de "Jogos Mortais" da figura do ator Tobin Bell, que deu vida todos esses anos a Kramer – um cara que morreu lá no final do terceiro filme, de 2006, e cujo esgotamento completo de tramas ajudou no hiato da franquia. Para os antigos fãs até pode bastar. Mas se a ideia era bombar o universo para um público novo, talvez seja preciso mais do que a vaga memória do hype dos anos 2000. As bilheterias, mais uma vez, serão decisivas na segunda vida de "Jogos Mortais". Pois que os jogos comecem. Um novo quebra-cabeça "Jigsaw" acompanha os detetives Halloran e Keith Hunt, ao lado do médico-legista Logan Nelson, na investigação de uma nova onda de mortes brutais que surge pela cidade. O que está em questão é a característica em comum de todos os corpos: uma marca de quebra-cabeça cravada na pele, nos moldes da que Jigsaw deixava em suas vítimas. O bizarro, olha só, é que Jigsaw morreu há 10 anos. De cara, o novo filme vai soar familiar para quem acompanhou "Jogos Mortais" até aqui. A trama acontece em duas frentes paralelas. Em uma, os policiais tentam desvendar os assassinatos e encontrar o local onde acontecem os jogos. Na outra, o grupo de participantes luta para sobreviver, desta vez num celeiro com serras, seringas, tridentes, espingardas e até um letal silo de grãos. Conforme os minutos passam, no entanto, "Jigsaw" bambeia. O filme traz algumas das melhores armadilhas da série, como o colar de laser que aparece no trailer, e algumas das mais imbecis. Entre as vítimas, uma cometeu uma atrocidade familiar pesada, enquanto outra simplesmente furtou uma bolsa. Pelo fato de o universo de "Jigsaw" ser o mesmo dos outros sete filmes, falta também uma figura de referência. Halloran, Keith Hunt e Logan Nelson têm atuações dignas de produções B. E o mistério em torno de Jigsaw estar vivo persiste ao longo dos 92 minutos, apesar do cara ter passado por uma autópsia no início de "Jogos Mortais IV" e definitivamente não ser um Jason ou Michael Myers da vida. Game Over? Se tem uma coisa que as grandes séries de terror têm em comum é a capacidade de seus vilões e monstros voltarem para uma nova onda de mortes violentas. E agora chegou a vez de "Jogos Mortais". Mas se você pensar que a maioria desses retornos fica abaixo do esperado, ver "Jigsaw" rigorosamente no meio do caminho até que é um sinal de vitória. Ainda não foi dessa vez que a franquia resgatou a tensão e a originalidade dos testes da trilogia inicial. No entnato, o público que for ao cinema pode esperar por dilemas morais palpáveis, boas armadilhas, várias referências aos filmes originais e muitos, mas muitos "flashbacks" – incluindo aquele que, obviamente, encerra o filme com uma grande reviravolta, sem antes deixar várias pontas soltas para uma possível sequência. Concluída a sessão de "Jogos Mortais – Jigsaw", duas coisas ficam claras: 1. você ficou velho (a) e uma série de filmes de apenas sete anos atrás já está sendo resgatada como se fosse de outro século; e 2. valorize a vida, carpe diem na veia. O Jigsaw voltou e você pode ser o próximo jogador. Fonte/Reprodução: G1